ab hoc et ab hac

Cleide, casada com Dori Fontana.
Mãe de 3: Bruna, Daniel e Rafael.


Sou humana. Sou aprendiz. Sou mulher. Sou feliz porque desejo a felicidade. Encontro respostas porque vivo comprometida a buscá-las. Sou amante porque acredito indubitavelmente na capacidade de compartilhar. Esta a minha essência: imperfeita sim... Mas inundada de amor!

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

—   Drummond, Os Ombros Suportam o Mundo (via scadenza)
  • 20 November 2011
  • 24