February 2012
Mas um dia a solidão há-de fatigar-te, um dia o teu orgulho há-de dobrar-se e a tua coragem há-de ranger os dentes. Um dia hás-de gritar: ”Estou só”!” —Nietzsche - Assim Falou Zaratustra. (via trebienn)
Se eu pudesse morrer em paz…
Se todos me deixassem morrer em silêncio…
Talvez, eu conseguisse viver…
As palavras em vida são mortas
Os sentimentos natimortos
Inexistimos uns aos outros
somos fluídos acelerados
passamos e nos perdemos
no espaço solitário dos nossos corpos
Sem sentido procuramos existir,
persistir e preservar algum sentido
Aqui não é um mundo de virtudes,
onde em vão, nos esforçamos
para sermos a exceção…
“Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigoso e o forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. O Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.”
(…) O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
” —João Cabral de Melo Neto
Martha Medeiros
Clarice Lispector
nada é impossível de mudar
desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.e examinai, sobretudo, o que parece habitual
suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer naturalnada deve parecer impossível de mudar
do desde menino poeta, Bertolt Brecht
My good friends in Deep Sea Diver have a new single, and though I maybe have some extreme opinions, I promise you this will be one of the best records released this year. So, do your self a favor and listen to this. Don’t be the last to know.
o mais fundo
está sempre na superfície
apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais que o charme” —
Leminski