December 2011
Desejo a todos um ótimo Ano Novo. Que 2012 traga o melhor a todos nós. Que possamos ser mais conscientes em relação às nossas escolhas, aos nossos valores e às nossas atitudes como seres humanos. Consciência para mudar, porque mudanças são sempre necessárias para o nosso aprendizado e para nossa evolução. Mais comprometimento, mais paz, mais união, mais amor. Menos preconceito, menos intolerância, menos violência.
Obrigada a todos que se tornaram meus amigos no tumblr, vocês são uma simpatia:
Luciano (umjovemsolitario e cultamenteanarquista)
Júlia (acurvadaluz)
Ivo (casamonaci31)
Hugo (hrodrigues)
Renata (frutidor)
Ligia (meias-respostas)
Aline (devires)
Termino com uma reflexão de Osho, místico cujas mensagens são um convite ao presente, à vida, à liberdade e ao riso.
Pergunta a Osho:
Se fosse para tomar uma única resolução de ano novo, qual você sugeriria?
Esta e só esta pode ser a resolução de ano novo: Eu resolvo nunca fazer qualquer resolução porque todas as resoluções são restrições do futuro. Todas as resoluções são prisões. Você decide hoje em vez de amanhã? Você destruiu o amanhã.
Permita que o amanhã tenha sua própria existência. Deixe que ele venha à maneira dele! Deixe-o trazer seus próprios presentes.
Resolução significa que você irá permitir apenas isso e que você não irá permitir aquilo. Resolução significa que você gostaria que o sol nascesse no oeste e não no leste. Se ele nasce no leste, você não vai abrir as suas janelas, você vai manter as janelas abertas para o oeste.
O que é resolução? Resolução é luta. Resolução é ego. Resolução é dizer: “Eu não posso viver de forma espontânea.” E se você não pode viver de forma espontânea, você absolutamente não vive - você só finge.
Então, deixe apenas uma resolução estar lá: eu nunca vou fazer quaisquer resoluções. Jogue fora todas as resoluções! Deixe a vida ser uma espontaneidade verdadeira. A única regra de ouro é que não existem regras de ouro.Osho, em “Walk without Feet, Fly without Wings and Think without Mind”
Imagem por Vitor Sá - Virgu
basta acreditar. Isso lhe dava às vezes estado de graça.
Nunca perdera a fé.” —Clarice Lispector (via to-mysurprise)
É só não puxar por elas.
Enquanto dormem,
abastecemos a barca de sonhos,
aquietamos o rio das indagações.
Quando a tristeza acordar pálida do pó de seus porões,
é nossa vez de descansar.
O ponteiro do desencontro torna possível navegar.” —
Escapismo - Flora Figueiredo
Sou imparcial como a neve.
Nunca preferi o pobre ao rico,
Como, em mim, nunca preferi nada a nada.
Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
Mas isso era outro mundo.
Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.
Eu queria ser o mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!
E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas, pisa-as toda a gente!
colhidos no mais íntimo de mim…
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
Porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir…
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas
do lado de fora do papel… Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia… como uma pobre lanterna que incendiou!” —Mario Quintana (via olhosumidos)
que descontrole minha exatidão.
Um amor tosco, frouxo,
que paralisa,
eu compulsiva.
Um amor exato,
que me salve da incerteza.
Um amor descabido, amadurecido,
que navegue comigo este mar inóspito.
Amor prostituto, de tesão.
Amor santificado por ser amor proibido.
Amor sabido.
Preciso de um amor caduco, banguela, de óculos.
Preciso de um amor enfurecido,
amor de farol, de beira de esquina,
amor de vadia.
Preciso de um amor sem destino.
Amor de menino,
que confessa pela primeira vez seu amor.
Preciso fazer caber num amor qualquer,
tudo o que não coube, nos amores que abortei.” —
Eloisa Elena
Não sei ser triste a valer
Nem ser alegre deveras.
Acreditem: não sei ser.
Serão as almas sinceras
Assim também, sem saber?
Ah, ante a ficção da alma
E a mentira da emoção,
Com que prazer me dá calma
Ver uma flor sem razão
Florir sem ter coração!
Mas enfim não há diferença.
Se a flor flore sem querer,
Sem querer a gente pensa.
O que nela é florescer
Em nós é ter consciência.
Depois, a nós como a ela,
Quando o Fado a faz passar,
Surgem as patas dos deuses
E ambos nos vêm calcar.
‘Stá bem, enquanto não vêm
Vamos florir ou pensar.
Aquietei minha tristeza nos seus olhos,
amansei minha pressa no seu tempo,
apoiei meu sonho em seu pensamento.
Minha fantasia pendurada no seu peito,
minha vontade apoiada em seu direito,
pintei meu perfil em sua identidade.
Desliguei o minuto
que é para saber se porventura escuto
as fibras do meu coração em desalinho;
Seu clone, seu sangue, seu carbono,
desenrolei debaixo dos seus passos meu caminho.
Clonagem - Flora Figueiredo
Tão vazia, mas tão bela. Tão certa, mas tão perdida…” —Cecília Meireles (via to-mysurprise)
Me julga agora como ele…
E me dedica um amor solidário, profundo!” —Mario Quintana (via to-mysurprise)
No espaço claro e longo
O silêncio é como uma penetração de olhares calmos…
Eu sinto tudo pousado dentro da noite
E chega até mim um lamento contínuo de árvores curvas.
Como desesperados de melancolia
Uivam na estrada cães cheios de lua.
O silêncio pesado que desce
Curva todas as coisas religiosamente
E o murmúrio que sobe é como uma oração da noite…
Eu penso em ti.
Minha boca cicia longamente o teu nome
E eu busco sentir no ar o aroma morno da tua carne.
Vejo-te ainda na visão que te precisou no espaço
Ouvindo de olhos dolentes as palavras de amor que eu te dizia
Fora do tempo, fora da vida, na cessação suprema do instante
Ouvindo, junta de mim, a angústia apaixonada da minha voz
Num desfalecimento.
Pelo espaço claro e longo
Vibra a luz branca das estrelas.
Nem uma aragem, tudo parado, tudo silêncio
Tudo imensamente repousado.
E eu cheio de tristeza, sozinho, parado
Pensando em ti.